Quando o assunto é Linux, três grandes nomes surgem: Canonical, Novell e Red Hat.
Cada um destes “três maiores” teve uma nova versão lançada recentemente: Ubuntu 8.10; openSUSE 11.1 e o Fedora 10. Isso significa que é hora de analisar e ver quem é o melhor.
O teste realizado foi feito em um Dell Inspiron 530S com processador de 2,2 GHz Pentium da Intel de dois núcleos com front-side bus de 800-MHz e 4GB de memória RAM, drive de 500GB SATA e chip set gráfico integrado da Intel 3100 GMA.
As distribuições de Linux tem várias coisas em comum. Primeiro, a instalação é super simples – seja via CD, DVD ou memória USB (para o Fedora) – e rápida. Não aconteceram problemas de hardware em nenhum dos casos, nem com impressoras Canon e HP ou na rede híbrida Active Directory/Samba.
A instalação de novos softwares também foi tranquila: o tocador de música Banshee; o Acrobat e o Flash Player da Adobe; e o Crossover Linux (que permite que aplicações do Windows rodem sobre o Linux) não apresentaram problemas em nenhuma das distribuições.
A semelhante facilidade nas três distribuições não deve surpreender, já que elas possuem o mesmo núcleo – todos foram construídos sobre o kernel Linux 2.6.27 e usam o GNOME 2.24. Ainda que os ingredientes sejam os mesmos, os sabores são bem diferentes. Confira o teste e deixe a sua opinião nos comentários.
Confira o teste:
Ubuntu 8.10
openSUSE 11.1
Fedora 10
Até quem não conhece nada de Linux já ouviu falar sobre Ubuntu. É facilmente o Linux para desktop mais popular e por um motivo: é muito simples.
A interface GNOME é fácil de usar e a Canonical se apóia em um forte suporte da comunidade. Se há algo que você queira fazer no Ubuntu 8.10, é bem possível que você encontre a resposta no Ubuntu Forums ou na wiki do Ubuntu Community Team.
Isto não é uma funcionalidade por si, mas não pode ser subestimada. Com o Ubuntu, você vai encontrar quase sempre ajuda online.
| Produto: | Ubuntu 8.10 |
| Fabricante: | Canonical |
| Preço: | Gratuito |
| Prós: | Fácil uso, extenso suporte da comunidade |
| Contras: | Integração com software proprietário pode ser problemática |
Talvez você não precise de ajuda nenhuma. Por exemplo, o novo Network Manager 0.7 conecta facilmente em redes Wi-Fi com ou sem fio, além de a acess points 3G. No teste, funcionou perfeitamente.
Outro ponto positivo no Ubuntu 8.10 está na inclusão do DKMS (Dynamic Kernel Module Support). Esta funcionalidade atualiza e faz o download, automaticamente, dos drivers demandados por seu hardware todas as vezes que o kernel do Linux é atualizado.
Em outras palavras, isso significa que o usuário do Ubuntu não precisa se preocupar com os drivers, mesmo que novo hardware seja instalado na máquina ou se a distribuidora de Linux atualizou o kernel.
A distribuição tem alguns problemas. A adição por padrão da interface KDE 4.x traz problemas, já que ela não é tão boa quanto a versão antiga, a KDE 3.5.x.
O Ubuntu deveria, também, incluir o OpenOffice 3.0, já que vem com a versão antiga da suíte de produtividade aberta, a 2.4.
Então, para quem o Ubuntu é indicado? Acredito que é a melhor distribuição para os iniciantes em Linux. É uma boa opção para usuários consumados em Linux, mas se você está começando a adentrar este mundo, o Ubunto é a escolha óbvia.
Se tivesse que resumir o openSUSE 11.1 em uma palavra, usaria “confiável”. Até os antigos problemas de atualização do openSUSE foram resolvidos nessa versão.
O openSUSE trabalha melhor no ambiente corporativo. Seja utilizando a distribuição como desktop corporativo ou como servidor, o openSUSE é o Linux melhor preparado para os negócios.
Ele traz a versão customizada pela Novell do OpenOffice 3.0, que permite que o usuário leia e escreva em todos os formatos de arquivos do Microsoft Office, incluindo o Open XML do Office 2007.
| Produto: | openSUSE 11.1 |
| Fabricante: | Novell |
| Preço: | Gratuito |
| Prós: | Muito confiável; excelente suporte para servidores |
| Contras: | Pouco amigável para novos usuários |
O openSUSE realmente brilha, no entanto, nos servidores. A instalação permite que seja definido com facilidade os servidores web, servidores de arquivo, servidores de banco de dados – você entendeu... Distribuições Linux funcionam bem como servidores, mas apenas o openSUSE torna realmente fácil o momento de colocá-los em funcionamento.
Como as outras distribuições, o OpenSUSE também vêm com a aplicação de virtualização KVM (Kernel-based Virtual Machine) e Xen. Além disso, o openSUSE possui o software de virtualização que considero mais simples: o VirtualBox da Sun.
Ainda que alguns não gostem do Mono, a versão aberta do .Net, o openSUSE fornece a melhor integração do Mono com Linux. Combinar essa funcionalidade com as outras capacidades amigáveis a redes Windows, faz do openSUSE a melhor distribuição para negócios e para integração à infraestrutura Windows.
Para quem atua em redes híbridas Linux/Unix/Windows, o openSUSE é a melhor escolha.
O Fedora é a distribuição que testa os limites do Linux. Ela sempre levou o Linux ao seu potencial máximo enquanto quer manter a estabilidade.
Com o Fedora 10, a Red Hat e a comunidade de desenvolvedores trouxeram funcionalidades revolucionárias ao mesmo tempo em que conseguiram uma distribuição excepcionalmente estável.
Um exemplo está no suporte a webcam. Agora, a maioria de webcams – senão todas – trabalha tranquilamente com o Fedora e sem software adicional.
| Produto: | Fedora 10 |
| Fabricante: | Red Hat |
| Preço: | Gratuito |
| Prós: | Melhoras importantes para rede, webcam e instalação de software |
| Contras: | Design revolucionário pode gerar problemas de estabilidade |
Algumas aplicaçõe exclusivas do Fedora também merecem destaque. Uma delas é o compartilhamento de conexão, que permite que você transforme seu laptop em um access point Wi-Fi. Ao mesmo tempo em que usa o seu notebook da maneira tradicional, é possível compartilhar a sua conexão com outras pessoas.
Já o PackageKit, que esconde a complexidade da instalação de software para usuários, foi muito melhorado. Além de simplificar o processo de achar, fazer o download e instalar o software, reconhece automaticamente a necessidade de um codec para tocar o filme que você quer ver. Ele não apenas encontra automaticamente o codec certo, como também dá a possibilidade de usar codecs proprietários. É muito inteligente e a Red Hat promete que vai ficar melhor.
Outra vantagem é que você pode rodar ou instalar o Fedora a partir de um drive de memória USB e manter as mudanças no pen drive. Isso significa que você pode levar para qualquer lugar o seu desktop pessoal em um drive USB. E, para evitar problemas de segurança, o Fedora tem criptografia em seus diretórios.
Mas, ao apostar no revolucionário Fedora, você paga um preço. Ele não é perfeito. Por exemplo, uma atualização no programa IPC (interprocess communications), D-Bus, eliminou os programas de instalação do Fedora. Este problema já foi corrigido, mas é bom esperar coisas como essa no futuro.
É por isso que eu não recomendo o Fedora para trabalhos de missão crítica. Com todas as suas funções novas, ele é uma distribuição para quem quer viver com o mais moderno da tecnologia. Não é tão fácil como o Ubuntu ou orientado aos negócios como o openSUSE, mas para os especialistas em Linux o Fedora é fantástico.
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