O Chrome OS chega no fim do ano com a pretensão de chacoalhar o mercado de netbooks. Ainda sabemos pouco sobre o funcionamento e os recursos dessa distribuição do Linux. A única certeza é que funcionará totalmente integrada à internet. Mas quem disse que dá para segurar a curiosidade por tanto tempo? Só havia um jeito de espiar o que vem por aí: instalar o sistema operacional do Google e verificar como ele funciona em seu atual estágio. Para encarar o desafio, escalamos o netbook Eee PC 900 do INFOLAB. E conseguimos realizar a façanha.
Não foi uma tarefa simples, e o Google não tem o menor interesse em facilitá-la. A empresa não quer criar um sistema operacional que poderá rodar em qualquer computador, como o Windows. O Chrome OS virá pré-instalado em máquinas de fabricantes que firmarem parcerias com o Google. Assim, a empresa não vai precisar desenvolver drivers para os inúmeros componentes de hardware no mercado. Os próprios fabricantes dos micros se encarregarão disso. Por outro lado, esse modelo garante ao Google um controle maior do ecossistema, facilitando uma integração estreita entre hardware e software — como ocorre atualmente com o Android nos smartphones.
Partida rápida
Para fazer o Chrome OS funcionar no Eee PC foi necessário encontrar uma versão já compilada do sistema, disponível desde o fim de novembro na forma de código-fonte. Depois, ela foi preparada para rodar a partir de um pen drive. Quando conseguimos executá-la — o que indicou haver compatibilidade com o netbook —, entramos no modo terminal e fizemos a instalação diretamente na unidade de armazenamento SSD do netbook (veja mais detalhes em http://bit.ly/chrome-os-infolab). Ao ligar a máquina, a primeira surpresa: o tempo de inicialização foi de apenas 16 segundos. E o Google ainda promete baixar a marca para algo entre 2 e 3 segundos.
Depois, foi preciso dizer adeus à área de trabalho. Logo após o login com uma conta do Google, o que se vê é uma janela do navegador Chrome — só isso. A empresa quer atingir usuários que ficam o tempo todo na web. Por isso, só será possível usar aplicativos online. Os programas poderão ser acionados numa aba do navegador, que, aliás, é parecida com o menu do Ubuntu Netbook Remix. Quando não houver conexão, eles entrarão no modo offline, trabalhando com dados armazenados no próprio micro. Assim que o netbook entrar na internet de novo, os dados serão sincronizados com os servidores do Google. O truque, no entanto, ainda não está disponível. Deu para entrar na web por Wi-Fi, mas o modem 3G não foi reconhecido.
Tudo na nuvem
Outra ideia ainda não implementada é a sincronização do conteúdo do netbook com a nuvem. Bastará se logar em qualquer computador com o Chrome OS para acessar todos os seus arquivos e configurações, que estarão nos servidores do Google. Isso ficou para depois. Uma novidade é a utilização de alguns aplicativos online, como o Google Talk, de modo diferenciado. Os programas se abrem em janelas que continuam visíveis mesmo quando trocada a aba no navegador.
Apesar da simplicidade, o sistema tem algumas firulas. Um exemplo são os mapas de atalhos de teclado, que pulam na tela com a tecla F8. Outro truque aparece com a F12: as janelas surgem minimizadas, e dá para ver miniaturas das abas — no melhor estilo do Windows 7 e do Vista. Fora isso, o sistema também onseguiu acessar arquivos de um pen drive e de uma câmera digital. Ficou claro que os desenvolvedores têm muito trabalho pela frente. E será que as pessoas vão se contentar em viver apenas com um navegador? O tempo dirá se o Google tem razão.
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